VOCÊ ESTÁ COLOCANDO AS PESSOAS CERTAS NOS LUGARES CERTOS?

A Psicologia da Personalidade como Estratégia de Alocação de Talentos

As empresas falam muito sobre desempenho, mas raramente sobre um ponto simples: ninguém performa bem quando precisa atuar contra si mesmo todos os dias.

No cotidiano corporativo, existem profissionais criativos encarregados de rotinas sufocantes, pessoas analíticas obrigadas a improvisar o tempo todo, talentos introspectivos expostos a ambientes ruidosos e colaboradores altamente responsáveis soterrados por tarefas que deveriam ser distribuídas.

A consequência?

Perda de potência, sofrimento psíquico, conflitos desnecessários.

Pode ser que não falte competência, mas que a função não esteja aproveitando o que a pessoa faz de melhor.

A personalidade é o conjunto de tendências, preferências e padrões emocionais que organizam o nosso jeito de existir no mundo.

Quando um trabalho exige:

  • velocidade de quem é naturalmente meticuloso
  • sociabilidade de quem é naturalmente introspectivo
  • inovação de quem opera melhor na estabilidade
  • autonomia de quem precisa de referenciais claros

 

O sofrimento aparece e não por falta de esforço, mas porque há um atrito estrutural entre pessoa e tarefa.

Ignorar a personalidade pode criar um ciclo organizacional que gera desgaste e perda de potencial. A personalidade pode funcionar como uma bússola estratégica, a ideia não é reduzir o sujeito às suas competências, mas considerar seu modo de funcionamento no desenho das funções e nas estratégias da empresa.

Quando pessoas trabalham em funções compatíveis com seu funcionamento psicológico:

  • o desempenho cresce naturalmente
  • conflitos diminuem
  • a saúde mental melhora
  • o senso de pertencimento aumenta
  • o turnover cai
  • os líderes gastam menos energia para “corrigir comportamento”
  • a empresa funciona com menos atrito e mais inteligência

 

Colocar a pessoa certa no lugar certo não é só uma boa prática, mas é uma forma de reconhecer que ninguém floresce no ambiente errado. A empresa que entende perfis cria equipes mais potentes, líderes mais conscientes e uma cultura emocionalmente saudável, deixando de desperdiçar o que tem de mais valioso: a singularidade humana.

Luana Trentin

Psicanalista com foco em saúde mental no ambiente de trabalho, fundadora da ÊTHOS Saúde Mental Corporativa e especialista em Ética e Filosofia Política.

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